terça-feira, 7 de julho de 2009



Mulheres vêm à tona da água


na sua espuma de luto


Roupa Saias Lenços Fios


Um mar nada absoluto


Deslizam lentas e negras


e são chamados sargaços


(há montes delas na areia


apanhados nos engaços).


Mulheres beijam a flor da água


com seus corpos devolutos


Roupa Saias Lenços Fios


e beijos irresolutos


Por vales profundos e cristas


atravessam esse mar


São livres e são sinistras


Vêm de longe ver pescar


Mulheres brilham à tona da água


com seus corpos erradios


A fosforecência do luto


Roupas Saias Lenços Fios


Nas redes dos pescadores


esses fios se embaraçam


Se eles estão de olhos fixos


é para ver se os deslaçam


Mas está tudo encordelado


como na água a chuva e os rios


Anzóis Linhas Mãos e Lágrimas


Roupas Saias Lenços Fios


A.P.T. ( A Ilha do Desterro)


terça-feira, 30 de junho de 2009

O apelo do mar pela manhã

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um a um os homens t vão-se vestindo de cor e de sonhos e depois irão para a Praça da Avenida da Liberdade misturar-se com a gente que por lá passar. A festa vai ser bonita na cidade do Porto.

segunda-feira, 25 de maio de 2009


Há manhãs assim, quando caminho junto ao mar.
E lembro-me então do poema do Alexandre Pinheiro Torres ;
O Meu Filho Vê o Mar
Fui com o meu filho pela mão
ver o mar onde nasci:
o contorno do coração
por onde criança bebi
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o olhar com que hoje o vejo,
com que sempre o verei,
e pus-me a ouvir-lhe o realejo
e o ditado da Lei.
Tábuas de rocha pisei
e meus pés não escorregaram.
Foi ali por onde andei
o que hoje sei. Ensinaram
-me a caminhar sempre duro.
E esse vaso semovente
com um olhar mudo e mútuo
foi novamente meu.Frente
a frente a sua família:
um filho antigo,outro novo:
um regressado do exílio,
outro entrado no jogo.

Levei meu filho pela mão,
no seu passo soletrado,
e ele olhava o coração
e agarrava-me assustado,
e disse, após escutar
que era o mar que ali estava:
"Olha , pai, o mar está a andar!"
Isto ninguém lhe ensinava.
É que o meu filho bebia
desse vaso em coração,
o olhar com que ele o via
(ele o veria), e os outros não.
O horizonte ao longe olhando
onde o vaso ia acabar,
disse, o céu apontando:
"Olha, meu pai, outro mar."